Machu Picchu – I

OS AVENTUREIROS

Delson à esqueda e Deilson à direita.

Delson à esquerda e Deilson à direita.

Pilotar uma moto é perigoso, é o que todo mundo diz.   As estatísticas confirmam a assertiva.   Por outro lado,     acelerar    uma moto é uma experiência inusitada. A estrada passando embaixo dos pés, o ronco  do motor e a paisagem passando sem janelas produzem um   prazer que somente os aficionados entendem.  Fazer uma longa viagem de moto era um sonho antigo. Depois de diversas tentativas   frustradas, decidi que aquele era o momento.  Se não houvesse companhia, eu iria  assim mesmo. No final de 2008, as condições para a realização da viagem estavam   presentes. Contando quarenta anos de idade, casado e com dois filhos, eu sabia que  outra chance como aquela dificilmente apareceria.  Um irmão e outros dois colegas, que também compartilhavam o sonho, mas sinalizaram desistência. Ao final, partimos somente eu e meu irmão.

A MOTO

Os relatos de viagem que li davam conta de que a Falcon (Honda) daria conta do recado.   A minha estava estava com 8000 Km rodados. Depois de viajar milhares de quilômetros, acredito  que a Falcon é a moto ideal para o percurso que escolhemos. Uma moto menor não andaria    em velocidade de cruzeiro; uma mais pesada teria nos impedido de transpor vários  obstáculos. No fim das contas, as motos foram muito exigidas e suportaram o tranco.

VESTUÁRIO


Avisados de que o frio na cordilheira é de matar, compramos jaqueta e calça (Tutto), bota de couro impermeável e luvas para neve, além das convencionais de couro. Mesmo com todo esse aparato, passamos frio. No alto da cordilheira, com ventos de até 100 km/h, a sensação térmica é de alguns graus negativos.

A PREPARAÇÃO

Preocupado com uma provável dor nas costas, freqüentei academia por quatro meses,  fazendo exercícios específicos. Outra coisa que me reocupava era a minha tendinite. O movimento da manete, ao acelerar a moto, poderia inflamar meu punho. Levei umA  tala como precaução. Graças a Deus, não precisei usá-la. A dor nas costas incomodo  muito, mas somente quando  utilizávamos luvas para neve. Isso porque era necessário segurar a manete com mais força por causa da pouca aderência da luva, que não foi  feita para aquele fim.

DOCUMENTAÇÃO


Para evitar problemas, tiramos passaporte, habilitação internacional, cartão de vacina internacional e fizemos seguro das motos, que não evitou problemas com as autoridades estrangeiras, conforme veremos mais à frente.

PRIMEIROS DESAFIOS

Pegamos um atalho para chegar em Chapadão do Céu , bonita cidade já perto de Mato Grosso. Foi nos 67 km de estrada de chão que passei pelo primeiro grande risco de queda. Ao final do dia a dor nas costas já perturbava, mas incomodava menos que a dormência nas nádegas, por ficar sentado na mesma posição por horas a fio. Apesar de tudo aquela estrada tinha sido a parte mais divertida até ali.

MUITA CHUVA

No segundo dia, rodamos debaixo de chuva torrencial quase que o tempo inteiro. Nossos pés ficaram submersos dentro das caras botas “impermeáveis”. As roupas suportam bem a chuva, mas o que resolveu mesmo o problema foi minha velha capa Alba, que é mais fácil de limpar. Também pegamos chuva nos Andes. Com os pés molhados, o frio era ainda mais intenso.

ENTRADA NA BOLÍVIA

Nossa entrada na Bolívia foi desastrosa. Inexperientes, passamos direto na fronteira. Dezoito quilômetros depois, fomos parados em uma barreira do exército boliviano. Eles ordenaram que voltássemos para obter autorização no setor de imigração da fronteira. Assim fizemos. Quando reentramos na Bolívia, ouvi alguém ordenando a um militar que estava ao meu lado “Para eles! Para eles!” Não tive dúvidas acelerei. Não adiantou, uma viatura nos interceptou quilômetro à frente. De sorte, meu irmão possuía uma carteira que tem, digamos, um certo respeito pelos nossos vizinhos.

O IDIOMA

Falar e entender as variações do Espanhol era outro desafio. As pessoas mais cultas nos entendiam bem, já os mais jovens e os mais simples não compreendiam nada que falávamos. Com o tempo fomos nos habituando. Algo interessante aconteceu no Peru: conversei em inglês com um cara, para momentos depois perceber que ele era brasileiro. Ao final a língua já nos era familiar.

GASOLINA BOA MAIS DIFÍCIL DE ACHAR

A gasolina da Bolívia é pura. Ela é bem clarinha, parece álcool. O preço também é muito bom: mais ou menos meio dólar o litro. Mas mesmo quando encontrávamos um posto em que havia gasolina disponível, era preciso enfrentar grandes filas e a burocracia do governo. Havia sempre um soldado em cada posto, anotando nome, endereço, documentação e placa dos veículos. Como não tínhamos tempo para pegar tamanhas filas, comprávamos gasolina no câmbio negro, ou seja, de terceiros que a vendiam em suas residências por um preço equivalente ao cobrado no Brasil. Minha grande preocupação era com eventuais entupimentos no carburador, mas felizmente isso não ocorreu.

A TRANSPANTANEIRA BOLIVIANA

Li alguns relatos de viagem antigos que contavam a odisséia que era atravessar de moto os 700 km de estrada de terra entre Corumbá – MS e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Alguns aventureiros preferiam despachar a moto de trem, na famosa ferrovia da morte. A propósito, a estrada de ferro passou a chamar-se “trem da morte” por causa dos crimes que aconteciam a bordo. Traficantes utilizavam os vagões para transportar seus produtos. Dizem que pessoas são transportadas juntamente com mercadorias e animais e que as condições higiênicas são terríveis. Hoje, 500 km já estão pavimentados.  Esse trecho é bem sinalizado e foi construído com cuidados na preservação do meio  ambiente. Apesar das diversas placas ao longo da estrada, proibindo a caça, vimos pessoas carregando espingardas.

Nuvem de borboletas

Jamais sairá da minha lembrança aquela núvem de borboletas que atravessa a autoestrada boliviana. Eram milhares. Elas atravessavam perpendicularmente, a pista da direita para esquerda. Se for um fenômeno sazonal, quem sabe entrando na Bolívia na mesma época seja possível assistir novamente àquela maravilha da natureza. Fiquei tão encantado que esqueci de filmar ou tirar fotos. Putz!!

BOLÍVIA – CENÁRIO POLÍTICO CONTURBADO

O exército boliviano está em toda parte, principalmente no trecho entre Corumbá e Santa Cruz. Fomos parados por eles diversas vezes. Algumas vezes, eles queriam dinheiro, noutras pediam documentos; mas sempre ficavam admirando nossas motos, inexistentes no país deles.

14 Responses to “Machu Picchu – I”

  1. gilberto disse:

    meu, muito louca sua viagem e estou me programando para ir de jandira-SP á machu pichu. tirei bons fluídos da sua estória.
    parabéns e boa sorte.

  2. Marco Aurélio Barbosa disse:

    Tenho sonho de fazer com moto uma viagem dessas, um dia eu faço.

  3. Francampos disse:

    Parabens , ja tive o prazer de fazer uma viagem d moto fui de fortaleza a tocantinopolis em 1982 foi uma aventura fiz em uma 125 ml , + foi muito boa agora pretendo fazer outra estou perto d me aposentar e amo moto . É so no q penso apesar d ter parafusos nos 2 pés. No proximo ano pretendo ir a ilheus bahia se Deus quiser procuro parceiros q gostem d aventuras em moto um abraço .

  4. delsonc disse:

    Na região de Ilhéus exitem extrada com um visual espetacular, de tirar o fôlego. Deve ser fantático passar pela mata atrântica de moto. Se eu pudesse, ia com você. Quando for, publique um relato pra gente ficar babando.
    Abração.

  5. Oliveira disse:

    cara vc é D+,,,valeu Delson,,,,pretendo fazer algo parecido, só que de bicicleta e bem mais perto,,,valeu!?

    ass oliveira

  6. Sérgio disse:

    Parabéns a vocês, Delson e Deilson.
    Escalar o Kilimanjo, tô fora, mas quando estiver nos planos a Rota 66 (USA), por favor, me avisem.
    Abraços

  7. delsonc disse:

    Valeu, Sérgio

    Já pensou? Cruzar o deserto numa Haley? Vai ser fantástico. É só esperar o momento, pois esse dia vai chegar.

    Delson

  8. Willian disse:

    Olá amigos, parabens ai pela viagem, esse tb é meu sonho, mas eu pretendo ir pela Argentina e depois subir, pelo Chile, eu acho que é bem melhor, rssss , mas vamos nos falando, ai quem sabe juntamos uma turma boa e vamos todos juntos heim!!!!

    Abraços.

  9. delsonc disse:

    William,
    Meu irmão, o que viajor comigo, e alguns amigos, farão viagem em março do ano que vem. Infelizmente não poderei ir com eles.
    Eles irão para Machu Picchu novamente, só que, desta vez, partindo do Acre, pela rodovia transoceânica. Se quiser ir, mantenha contato.
    Abraço,
    Delson

  10. Luiz disse:

    Pretendo ir a machu picchu em julho de 2012 estou procurando pessoas para agajar nessa aventura … vou de shadow 750 cc obrigado .. luiznunnes@hotmail.com

  11. delsonc disse:

    Oi LUiz,

    Obrigado por acessar o site. Meu irmão irá novamente de moto a Machu Picchu em março de 2012. Dessa vez ele partirá do Acre, pela Transoceânica. Se for do seu interesse, entre em contato.
    Infelizmente, minhas dívidas me proibiram de ir dessa vez.

    Abraço

    Delson

  12. carlos andré disse:

    amigo como a moto comportou-se em altas altitudes, tenho uma hornet 2006 carburada e me disseram que as carburadas dão problema nas altitudes. estou louco para ir ate machu picchu, mas tenho medo dessa questão.

  13. Muito bom parabens…

  14. delsonc disse:

    Oi Carlos, desculpe pela demora pra responder. Motos carburadas dão problemas sim. Levamos chaves de fenda e tentamos regular os carburadores para entrar mais ar, mas não deu certo. As motos passaram a consumir muito, as dar “tiros” nas reduzidas e perder potência – em alguns lugares, não era possível passar de 60 km/h. A única e arriscada providência que deu certo foi retirar os filtros de ar. Acima de 3.500 metros tanto nós quanto as máquinas começamos a sentir faltar de ar. Espero ter ajudado.

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